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Como interpretar as trombetas do Apocalipse?
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A profecia que anuncia o surgimento do islamismo

As três últimas trombetas do Apocalipse são identificadas como ais, devido a natureza muito mais severa dos acontecimentos preditos a seguir. A 5ª e 6ª trombeta apresentam uma descrição mais detalhada do que as quatro primeiras e correspondem a todo o capítulo 9 de Apocalipse. Inclusive estas duas trombetas são as únicas em que aparecem períodos proféticos definidos. A quinta trombeta é uma revelação surpreendente que aponta para o surgimento e expansão do islamismo. A descrição bíblica está em Apocalipse 9:1-12:

E o quinto anjo tocou a sua trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo. E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como a fumaça de uma grande fornalha, e com a fumaça do poço escureceu-se o sol e o ar. E da fumaça vieram gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como o poder que têm os escorpiões da terra. E foi-lhes dito que não fizessem dano à erva da terra, nem a verdura alguma, nem a árvore alguma, mas somente aos homens que não têm nas suas testas o selo de Deus. E foi-lhes permitido, não que os matassem, mas que por cinco meses os atormentassem; e o seu tormento era semelhante ao tormento do escorpião, quando fere o homem. E naqueles dias os homens buscarão a morte, e não a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles. E o parecer dos gafanhotos era semelhante ao de cavalos aparelhados para a guerra; e sobre as suas cabeças havia umas como coroas semelhantes ao ouro; e os seus rostos eram como rostos de homens. E tinham cabelos como cabelos de mulheres, e os seus dentes eram como de leões. E tinham couraças como couraças de ferro; e o ruído das suas asas era como o ruído de carros, quando muitos cavalos correm ao combate. E tinham caudas semelhantes às dos escorpiões, e aguilhões nas suas caudas; e o seu poder era para danificar os homens por cinco meses. E tinham sobre si rei, o anjo do abismo; em hebreu era o seu nome Abadom, e em grego Apoliom. Passado é já um ai; eis que depois disso vêm ainda dois ais

“Eu vi uma estrela que caiu do céu na terra” é mais uma referência a queda de Satanás (Is 14:12 a 14, Ap 12:7 a 9). Ele estando na terra indica sua ação neste planeta. É interessante notar que todo aquele que pratica sua obra é tido também como estrela caída (ver Jd 13). Assim, Satanás com seus agentes atuam agora em um lugar conhecido como o “poço do abismo”. O que é abismo na Bíblia? Não é um poço sem fim. É uma região não habitada (Gn 1:1 e 2). A quinta trombeta nos avisa de que em um região não habita surgiria um poder religioso sob a influência de Satanás que ensinaria falsas doutrinas e erros, e que causariam também um problema terrível aos cristãos que não eram fieis a Deus, aqueles que não tinham o selo de Deus (9:4). Estes sofreriam muito nas mãos destes “gafanhotos”.

Muitos teólogos, especialmente aqueles que partem da visão historicista de interpretação profética, veem o cumprimento desta trombeta no surgimento e crescimento do Islamismo. E de fato, ao aplicarmos a descrição da profecia à história do islamismo veremos muitas correspondências. A primeira delas é quanto ao local em que o Islamismo surge e se desenvolve, a Arábia, uma região de muitos desertos e quase desabitada.

A “estrela” responsável neste período em abrir o poço do Abismo é o próprio Maomé que conseguiu unificar os árabes que viviam no deserto e transformou aqueles povos em uma nação, fazendo-os reverenciar um único deus, que é Alá (Allah, a palavra Árabe para Deus). Maomé é tido como o último profeta de Deus que recebeu mensagens especiais através do anjo Gabriel. Os relatos destas revelações deu origem ao Alcorão, que quer dizer “recitação”. Todo aquele que aceita o ensino de Maomé é chamado de mulçumano, ou seja, aquele que “se submete”. Como foram milhares que abraçaram e se submeteram ao profeta e sua mensagem, a profecia chama-os de “gafanhotos” (Ap 9:3).

Quando estes gafanhotos saem “da fumaça do abismo” ocorre o “escurecimento do sol”, ou seja, mais uma vez a obra de Cristo e seu ministério é ofuscado, e desta vez pelos ensinos do islamismo. O que eles ensinam sobre Cristo? Eles veem Jesus como um enviado de Alá, como um profeta, não como Deus e messias como acredita a maioria dos cristãos. Assim, o Senhor Jesus não é nosso criador, redentor e intercessor. Percebe-se claramente que Satanás usa esta nação para deturpar a compreensão de Cristo na mente de milhares de pessoas (9:2).

A quinta trombeta anuncia que estes gafanhotos seriam destruidores, pois foi-lhes dado “o poder como os que têm os escorpiões da terra” (v.3), ou seja, em batalha, seus ataques seriam rápidos e mortais. João descreve estes gafanhotos de forma bem diferente (v. 6 a 10): eles tinham cabeças com coroas semelhante a ouro, rosto de homem, cabelos como de mulhere e dentes como de leão. Tinham também couraças e aguilhões (v.9 e 10). Os guerreiros maometanos tinham uma aparência bem próxima do relato profético que pode ser interpretado desta forma: rosto de homem (barba), cabelos de mulher (compridos), coroas (turbantes), couraças (armaduras) e cavalos (montaria).

A história registra que o islamismo se tornou um adversário terrível do cristianismo, inclusive travando várias batalhas em nome de Alá. No entanto, eles não “causariam dano a relva e as árvores verdes”, símbolo do povo que tem o selo de Deus. Estes seriam poupados dos seus terríveis ataques (v.4). O Califa Abu Bakr sucedeu Maomé e orientou os conquistadores nos seguintes termos:

“Quando travardes as batalhas de Alá; portai-vos como homens, nunca voltando as costas; mas que a vossa vitória não seja manchada com o sangue de mulheres e crianças. Não destruais as palmeiras nem queimeis as searas, não corteis árvores frutíferas, nem maltrateis os animais; a não ser que tenhais que matar para o vosso sustento… Encontrareis no vosso caminho, algumas pessoas religiosas que vivem nos mosteiros retiradas, e que desse modo propõe servir a Deus; deixai-as e não as mateis, nem destruais seus mosteiros. Encontrareis outra classe de pessoas que pertencem à sinagoga de Satanás, e que tem coroas raspadas; fendei-lhes o crânio ou não lhes deis descanso, enquanto não se tornarem maometanos, ou pagar tributos .

Maxwell também afirma que “o islamismo garantiu aos judeus e cristãos uma boa dose de liberdade, por serem estes o “Povo do livro”. Notavelmente, cristãos guardadores do sábado sobreviveram na Armenia e na Etiopia” . No entanto, aqueles que não tivessem o selo de Deus sofreriam sobremaneira e seriam atormentados por cinco meses (v.5). O que significa este período de cinco meses? Cinco meses equivale a 150 dias (5×30), que em profecia representa 150 anos (cada dia por um ano conforme Nm 14:34; Ez 4:4 a 7).

Alguns estudiosos veem o cumprimento destes 150 anos entre 632 d.C a 782 d.C, pois foi a primeira onda expansionista do Islã. Outros reputam o período entre 674 d.C a 823 d.C, período correspondente a primeira série de ataques islâmicos à cidade de Constantinopla. Ainda uma outra possível interpretação destaca um período posterior, no qual, o líder Otman reúne vários grupos islâmicos que estavam divididos e os torna em um só governo, o então conhecido Império Otomano que investiram contra o império romano oriental, desde invasão da Nicomédia em 27/06/1299 até 27 de Julho de 1449, data em que o rei de Constantinopla se submete ao domínio Otomano, completando exatos 150 anos. Esta terceira sugestão com relação aos 150 anos (1299 d.C a 1449 d.C), onde os Otomanos invadem e atormentam Roma Oriental parece fazer mais sentido quando conectado a sexta trombeta. Desta forma cumpre-se o primeiro Ai, que vai desde o surgimento do islamismo até o fim do período dos 150 anos de tormento em 1449 d.C.

 

Everton Almeida
Everton Almeida
Everton Almeida é o pastor criador do projeto "Compreendendo as Escrituras". Para conhecê-lo melhor veja sua biografia. Encontre-o também nas redes sociais: Facebook | YouTube