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Nossa identidade

Identidade é o conjunto de características próprias de uma pessoa ou coisa que a distinguem das demais. Nome, cor dos olhos, aparência física, habilidades, temperamento são itens que compõem nossa personalidade.

Na história do adventismo, o profundo estudo da Bíblia foi um dos principais fatores na formação denominacional. E, como consequência desse estudo, vários textos bíblicos acabaram assumindo um papel-chave em nossas doutrinas. Por exemplo: os relatos da criação, da queda e do dilúvio (Gn 1-3; 6-9); os dez mandamentos (Êx 20); a lei sobre carnes puras e impuras (Lv 11); as principais profecias de Daniel (Dn 2, 7, 8 e 9) e a experiência do “livro amargo” (Ap 10).

Assim, a derradeira profecia é anunciada ao povo de Judá: YHWH evocaria seu servo, Nabucodonosor para cumprir com o juízo divino (25:9). Então em 605 a.C., o servo de YHWH, o rei dos reis (Ez 26:7), Nabucodonosor, assalta Jerusalém, leva parte dos utensílios do templo, bem como parcela dos israelitas da linhagem real e da nobreza (Dn 1:1-4), incluindo o rei Jeoaquim (2Cr 36:5-8). Enquanto isso, em Judá, as coisas continuavam como estavam, fazendo com que o rei caldeu ordenasse que o rei suplente, Joaquim, fosse levado para a Babilônia com mais utensílios da Casa de YHWH (2Cr 36:9-10). Um novo monarca é estabelecido, Zedequias. E como ato de misericórdia divina, Jeremias é enviado com uma mensagem encenada para o novo rei.

Ao longo de seus escritos, Ellen White fez referência a uma enorme quantidade de passagens bíblicas, incluindo os textos citados acima. Porém, há três capítulos das Escrituras que ela destacou como sendo especialmente relevantes para os adventistas. Eles resumem nossa mensagem, missão e condição.

Apocalipse 14 – Referindo-se mais especificamente aos versos 6 a 12, Ellen White declarou que “as mensagens deste capítulo constituem uma tríplice advertência, que deve preparar os habitantes da Terra para a segunda vinda do Senhor” (O Grande Conflito, p. 435). Segundo ela, essas mensagens ocupam um lugar especial no cronograma profético, e é nosso dever anunciá-las (Eventos Finais, p. 198; Primeiros Escritos, p. 256).

A proclamação dos anjos de Apocalipse 14 resume nossa mensagem como adventistas. Essa mensagem de advertência e salvação é o “evangelho eterno” (v. 6); tem alcance mundial (v. 6); convoca todos a adorarem a Deus, com palavras que fazem lembrar o quarto mandamento e o relato da criação (v. 7; Êx 20:8-11; Gn 2:1-3); anuncia que o juízo de Deus já começou (v. 7); apresenta a condenação divina contra a Babilônia mística, com sua adoração à besta e sua marca (v. 8, 9-11); e ressalta as características distintivas do povo de Deus no tempo do fim (v. 12).

Isaías 58 – Para Ellen White, esse capítulo define a obra, a missão dos adventistas (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 106). Ela acreditava que essa passagem “contém a verdade presente para o povo de Deus” e que a cuidadosa leitura dela traria uma compreensão que vivificaria a igreja (Beneficência Social, p. 121, 29).

Isaías 58 trata basicamente do pecado do povo de Israel em desvincular o culto das implicações práticas da religião. Deus repreendeu seu povo por causa da adoração vazia e egoísta, que não levava em conta as necessidades do próximo (v. 1-11). A linguagem do verso 12 é frequentemente utilizada para se referir ao papel dos adventistas como restauradores de verdades esquecidas ao longo da História. E os versículos 13 e 14 evidenciam a importância do sábado, sua correta observância e a promessa para aqueles que o guardam.

Os três elementos ressaltados nessa passagem – justiça social, reforma doutrinária e sábado – não aparecem no vácuo, mas dentro de um contexto específico. Provavelmente, o jejum mencionado em Isaías 58 seja uma referência ao jejum anual praticado no Dia da Expiação, o que torna esse capítulo ainda mais importante para os adventistas, que creem estar vivendo no Dia da Expiação escatológico, desde 1844.

Apocalipse 3 – Ellen White foi clara ao afirmar que a mensagem à igreja de Laodiceia (Ap 3:14-22) é aplicável à condição do povo de Deus no tempo atual (Fé e Obras, p. 83; Testemunhos Para a Igreja, v. 3, p. 252).

Apesar de incisivas, as palavras de Cristo à igreja do tempo do fim – que é miserável, embora se considere rica – apresentam seu amor (v. 19), o desejo de desenvolver a mais profunda comunhão com seu povo (v. 20) e uma extraordinária promessa aos vencedores (v. 21). Embora a carta a Laodiceia revele o desespero de nossa condição, é também uma mensagem de esperança que nos dá oportunidade de despertar e levar avante a mensagem e a missão que Deus no confiou.

 

Eduardo Rueda
Eduardo Rueda
Eduardo Rueda é pastor e editor na Casa Publicadora Brasileira